Mirror’s Edge é uma interessante mistura entre uma distopia e a atividade/esporte emergente Pakour que, para quem não conhece, é uma criação do francês David Belle e envolve deslocar-se por ambientes urbanos o mais rápido possível realizando-se várias manobras.
Em Mirror’s Edge o jogador assume o controle de Faith, uma praticante do Parkour que trabalha como uma espécie de emissária. A necessidade do Parkour fica clara após alguns contatos com o universo da protagonista: o jogo se passa em uma sociedade controlada por um governo absolutamente invasivo e hostil em que todas as comunicações eletrônicas são monitoradas. Assim sendo, para os grupos de resistência resta apenas uma coisa: apelar para mensageiros quando o que está em questão é algo de importância vital.
Embalo é tudo!
Mais do que nunca, uma coisa ficou realmente óbvia: a chave do jogo — o ponto alto mesmo — está na capacidade de manter o embalo da protagonista. Isso vai permitir não só que conclua as missões com mais segurança, como ainda vai garantir algumas seqüências de movimentos realmente belas. Para tanto, Mirror’s Edge traz alguns comandos bastante simples, mas bem funcionais. No que tange a movimentação, o jogador utilizará apenas dois comandos: para cima e para baixo. Isso porque não existe um comando específico. Tudo funciona sempre com ação de contexto. Dependendo da necessidade, Faith pode pular, escalar ou fazer qualquer outra ação; tudo com o mesmo botão.
Em contrapartida, pressionar para baixo não vai fazer com que a protagonista necessariamente se abaixe. Ela pode sim fazer isso, mas também pode escorregar sob um obstáculo (como as pernas de um guarda) ou ainda aterrissar rolando após um salto. A sensação de velocidade trazida pelo jogo também impressiona. Faith conta com dois níveis de velocidade: corrida e arrancada. Além dos movimentos da cabeça e da respiração da protagonista acompanharem perfeitamente os seus movimentos, ainda se pode escutar uma respiração mais pesada no caso de uma arrancada — sempre com uma ótima sincronia.
Alguma ajuda
A chave para se dar bem em Mirror’s Edge é cobrir o maior espaço possível durante o menor tempo. Na maioria das vezes o jogador terá a sua frente diversas escolhas para passar um determinado arranha-céu. Essa escolha irá determinar se ao final da fase tenha-se executado uma lista de manobras interessantes e rápidas, ou se Faith terá apenas uma bala alojada na cabeça. Entretanto, provavelmente por ter a ciência de que a maioria dos jogadores de videogame jamais praticou a arte do Parkour, a DICE acrescentou alguma ajuda durante as fases. Primeiramente, pode-se contar com os avisos de um guia chamado Mercury. Ele avisa Faith sobre as condições do cenário e também dá algumas dicas.
Em alguns momentos mais difíceis ainda pode-se contar com a visão de Faith para encontrar o caminho mais favorável. Trata-se de um dos poucos momentos em que mais alguma coisa aparece na tela: um pequeno ponto indica que a habilidade está disponível. A movimentação torna-se então mais lenta, facilitando a escolha do caminho.
O uso de armas não é o principal foco
Um dos pontos altos de Mirror’s Edge é o fato de que Faith, a protagonista, é apenas uma garota comum. Assim sendo, movimentos impensados e/ou imprecisos podem realmente levar para o checkpoint mais próximo. Para deixar as coisas ainda mais interessante, a utilização de armas de fogo tem um papel absolutamente secundário — Faith até mesmo joga fora uma eventual arma que apareça depois que as balas terminam. Entretanto, a heroína não pode de forma alguma ser considerada desarmada.
Isso porque ela pode contar com os movimentos do “wing chun”, uma arte marcial budista focada na fluência de energia e no combate rápido. Apesar disso, uma sábia utilização dos elementos do cenário pode facilitar muito as coisas, como pular sobre uma plataforma para em seguida acertar um determinado guarda de cima para baixo. Em boa parte das vezes os combates podem até mesmo ser encadeados com a movimentação de Faith.
A promessa de uma jogabilidade quase inédita parece mesmo estar sendo cumprida pela EA DICE. A fluidez e os belos gráficos de Mirror’s Edge parecem ainda estar aliados a uma boa longevidade, graças às várias e inusitadas formas com que se pode passar um único trecho de um cenário.
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